Preâmbulo

Este blogue pretende constituir um espaço de registo e divulgação dos trabalhos e actividades da comunidade escolar sobre acontecimentos, realizações, percursos e personalidades da Primeira República.

No 1º. centenário da implantação da República queremos juntar-nos às comemorações, estabelecendo um diálogo entre a Escola, o meio local e os eventos de carácter nacional.

Celebrar a República implica também um olhar sobre as raízes ideológicas do republicanismo e dos princípios e valores que orientaram o discurso e a acção de personalidades que marcaram os acontecimentos ou que, de alguma forma, se evidenciaram nos domínios cultural e artístico.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Símbolos da República




A República e a Literatura






Movimentos artísticos contemporâneos da República(2)











Movimentos artísticos contemporâneos da República(1)













A República e a Arte

SÓNIA DELAUNAY
Sónia Delaunay, natural de Gradizhsk, Ucrânia, foi pintora, figurinista, cenógrafa, designer têxtil, criadora de moda e de objectos “simultâneos”. Sarah Stern (mais tarde chamada Sónia Delaunay) nasceu em 1885, no seio de uma família pobre, mas a adopção por um tio materno, Henry Terk, permite-lhe uma vida de oportunidades. Frequentou a Academia de Belas-Artes de Karlsruhe, na Alemanha, e foi para Paris em 1905, para estudar na Academie de la Palette.
Casou em 1910 com o pintor Robert Delaunay. Nessa altura Sónia desvia-se da pintura, e focaliza-se nos trabalhos de tecidos e bordados. A Grande Guerra obriga o casal a ausentar-se de Paris, e vêm para Portugal, convidados por Amadeo de Souza-Cardoso e Eduardo Viana. Novamente dedicada à pintura e ao desenho, a sua obra reflectirá as cores do folclore e do artesanato regionais, recriando, na linguagem dos seus círculos solares, as bonecas e a olaria tradicionais e as roupas das mulheres, em momentos de dança. Na tela Chanteur Flamengo (1915), a composição vibrante, de dinâmica centrífuga, mostra a sua relação com a música e o desejo de pôr as cores a dançar. Embora reconhecíveis, as figuras referentes articulam-se como pretextos a caminho da abstracção, deixando a cor ecoar no espaço e desdobrando a luz nas suas múltiplas faces.
Sónia Delaunay morreu em 1979, em Paris.
Ana Sofia Santos, 10º 8

terça-feira, 16 de março de 2010

A intervenção das Mulheres republicanas


Acção de Propaganda Feminina

A 14 de Março de 1911, foi publicada em Portugal uma nova lei eleitoral da República, referente do direito de voto. Tal lei concedia o direito de voto a todos os cidadãos portugueses, maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever e chefes de família, não fazendo qualquer referência às mulheres.
As mulheres, sempre conscientes das barreiras que teriam de superar se quisessem alcançar a igualdade, desde cedo que reivindicaram o direito de voto. Devido a uma divergência surgida na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, em relação ao voto das mulheres (nas suas petições aos órgãos de soberania, pediam o direito de voto apenas para as mulheres que pertencessem à elite social ou pagassem impostos, o que não agradou a todas), nasceu a Acção de Propaganda Feminina, criada por Ana de Castro Osório, Joana de Almeida Nogueira, Rita Dantas Machado e Carolina Beatriz Ângelo, em 1911. Porém, cada vez que pediam o que era seu por direito, o voto, era-lhes sempre negado.
Surgiram igualmente diferentes pontos de vista entre as mulheres, pois para algumas, como Ana Osório de Castro, o voto só deveria ser concedido a mulheres instruídas, pois grande parte das portuguesas não estavam suficientemente educadas para votarem em consciência, sendo influenciadas pelo preconceito e pela Igreja, acabando por votar mal. Contudo, para outras, como Maria Veleda, o direito de voto era para todas as mulheres, pois apesar de algumas não terem tido a chance de serem instruídas, deveriam ter direito a votar, pois se tal não se desse, apenas serviria para aumentar a desigualdade existente.
Entretanto, quando todas as mulheres desistiram de batalhar, Carolina Beatriz Ângelo, chefe de família (pois era viúva e tinha uma filha menor), decide levar este caso à justiça, para que esta pudesse julgar os factos de uma melhor forma. Tendo em conta que o juiz era pai de Ana Osório de Castro, grande defensor da emancipação feminina, este decidiu a favor de Carolina.
Contudo, apesar dos esforços feitos, a lei eleitoral de 1913, excluiu as mulheres do direito do voto. Tal não desmotivou a luta pela emancipação que, desde o voto de Carolina Beatriz Ângelo, se acentuou mais que nunca pela igualdade de sufrágio.

Patrícia Silva 11º4

A emancipação feminina (III)

A emancipação feminina e os seus efeitos na Maçonaria

˜ A Maçonaria é uma associação universal que se reúne em lojas, espécie de pequenos grupos independentes, que tem em vista a liberdade, democracia, justiça, fraternidade, o direito à educação, entre outros, e principalmente a igualdade. Assim sendo, em 1907, Magalhães Lima, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, permite que mulheres como Maria Veleda, Ana de Castro Osório e Adelaide Cabete dirigissem a Loja Humanidade, criada em 1904, que passou então a ser independente, gerando protestos provenientes de outras lojas maçónicas conservadoras. Tinha como objectivos a igualdade de direitos e a plena cidadania.
˜ Em 1913, a loja Humanidade separa-se da Maçonaria regular, devido a questões postas por Ana de Castro Osório, que pretendia saber se as mulheres eram dignas de obterem respeito e igualdade, acabando por não obter uma resposta satisfatória. Em 1915, um grupo dissidente criou a loja Carolina Ângelo.
˜ Em 1920, regressam à Maçonaria regular, a pedido de Magalhães Lima, devido à existência da Monarquia do Norte.
˜ Mais tarde, devido a não verem os seus objectivos a serem alcançados e a serem desvalorizadas pelos dirigentes masculinos, associam-se à Ordem Mista do Direito Humano, fundada em França em 1893, que aceitava tanto homens como mulheres, sem distinções. Assim, em 1923, Adelaide Cabete cria a Loja Humanidade do Direito Humano, que mais tarde deseja ver-se independente da Maçonaria Francesa, contando com inúmeros apoiantes, tanto homens como mulheres, que pretendiam demonstrar a igualdade entre os sexos.

Patrícia Silva, Nº14