Preâmbulo

Este blogue pretende constituir um espaço de registo e divulgação dos trabalhos e actividades da comunidade escolar sobre acontecimentos, realizações, percursos e personalidades da Primeira República.

No 1º. centenário da implantação da República queremos juntar-nos às comemorações, estabelecendo um diálogo entre a Escola, o meio local e os eventos de carácter nacional.

Celebrar a República implica também um olhar sobre as raízes ideológicas do republicanismo e dos princípios e valores que orientaram o discurso e a acção de personalidades que marcaram os acontecimentos ou que, de alguma forma, se evidenciaram nos domínios cultural e artístico.

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quinta-feira, 25 de março de 2010

Maria Luísa Braamcamp Freire e a República


Maria Luísa Cunha Braamcamp Freire, esposa do patrono da nossa Escola, foi sócia fundadora e membro da Comissão Administrativa da Cruzada das Mulheres Portuguesas, uma organização feminina criada em 1916, no contexto da 1ª. Guerra Mundial, para apoiar material e moralmente os soldados mobilizados para a frente de batalha.
Sob a presidência de Elzira Dantas Machado, esposa do Presidente da República, Bernardino Machado, a Cruzada das Mulheres Portuguesas organizou uma rede de comissões e subcomissões, espalhadas pelo país, destinadas a congregar o esforço feminino para a assistência hospitalar aos soldados e o auxílio às suas famílias, sobretudo as mulheres que ficaram sem
meios de sustento e os filhos órfãos.

Com o apoio do governo, a Cruzada das Mulheres Portuguesas instalou e dirigiu uma Escola de Enfermagem, o Hospital de Campolide para assistência médica e cirúrgica no país, o Hospital Português de Hendaya, o Instituto de Reabilitação dos Mutilados de Guerra, no antigo Convento de Arroios, a Casa do Trabalho, em Xabregas, a Escola Profissional nº. 1, na Graça, a Casa de Assistência Infantil, com creche e orfanato, a Escola Agrícola Feminina, em Alcobaça, as Escolas de Rendas, em Farminhão, Setúbal e Viana do Castelo, e a Despensa Social.
Por todo o país, as mulheres acolheram bem as iniciativas da C.M.P. e ofereceram o seu contributo à causa da República e da Pátria, como médicas, enfermeiras, costureiras, professoras, educadoras, gestoras, escriturárias, dactilógrafas, funcionárias dos sectores comercial, industrial e dos serviços ou como trabalhadoras indiferenciadas.
A C.M.P. foi o elemento aglutinador da boa vontade, do trabalho, entusiasmo, energia, cooperação e inovação das mulheres portuguesas ao serviço do esforço de guerra e dos interesses de Portugal naquele momento histórico.

quarta-feira, 24 de março de 2010

As mulheres e a República (2)




As Mulheres e a República
Alinhar ao centro
Introdução

O 5 de Outubro de 1910, marca a viragem da História Portuguesa no Século XX, significativa para os direitos civis, políticos e sociais.
Estas mulheres destacaram-se pela forma como não se acomodaram e mudaram a forma como as mulheres eram vistas.
Neste trabalho vamos conhecer apenas algumas dessas mulheres.

Olga de Morais Sarmento

Maria Olga de Morais Sarmento da Silveira nasceu em Setúbal a 26 de Maio de 1881.
Casou aos 16 anos com um médico da Armada, que faleceu pouco tempo depois em combate.
Lutou pelos direitos jurídicos e cívicos das mulheres.
Dirigiu a publicação Sociedade Futura, criada em 1902, sucedendo-lhe no cargo Ana de Castro Osório.
Aderiu à Liga Portuguesa da Paz, fundando e tornando-se presidente da sua Secção Feminista em 1906.
Condecorada com a Legião de Honra e com as Ordens de Cristo e de Santiago de Espada.
Morreu em 1948.

Algumas das suas Obras:

"Problema Feminista" (1906)
A Marquesa de Alorna (sua influência na sociedade portuguesa) (1907)
Arte, Literatura & Viagens (1909)
A Infanta Dona Maria e a Corte Portuguesa (1909)
Sa Majesté la Reine Amélie de Portugal, Princesse de France (1924)

Adelaide Cabete

Adelaide de Jesus Damas Brazão Cabete nasceu a 25 de Janeiro de 1867 em Alcáçovas, Elvas.
Casou com o Sargento Manuel Fernandes Cabete.
Foi médica obstetra, ginecologista, professora, maçona, publicista, benemérita, pacifista, abolicionista, defensora dos animais e humanista portuguesa.
Presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.
Fundou a Liga Portuguesa Abolicionista e as Ligas de Bondade.
Reivindicou para as mulheres o direito a um mês de descanso antes do parto.
Reivindicou o direito ao voto feminino.
Em 1933 foi a primeira mulher a votar em Luanda, a Constituição Portuguesa.
Morre em Lisboa em 1934.

Algumas das suas Obras

Deve Desempenhar no Ensino Doméstico (1913)
Protecção à Mulher Grávida (1924)
A Luta Anti-Alcoólica nas Escolas (1924)

Ana de Castro Osório

Ana de Castro Osório nasceu em Mangualde a 18 de Junho de 1872.
Escritora, editora, pedagoga, publicista, republicana e feminista.
Casou com Paulino de Oliveira, membro do Partido Republicano.
Colaborou com o ministro da Justiça, Afonso Costa, na elaboração da Lei do Divórcio.
Foi pioneira em Portugal na luta pela igualdade de direitos entre homem e mulher.
Foi uma das fundadoras das seguintes organizações:
- Grupo Português de Estudos Feministas, em 1907.
- Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, em 1909.
- Associação de Propaganda Feminista, em 1912.
- Comissão Feminina ‘Pela Pátria’, em 1916, a partir da qual se formou, no mesmo ano, a Cruzada das Mulheres Portuguesas.
Morreu em Setúbal a 23 de Março de 1935.

Algumas das suas Obras:

Às Mulheres Portuguesas (1905)
A mulher no casamento e no divórcio (1911)
A nossa homenagem a Bocage (1905)
A minha Pátria em tempo de Guerra, (1917)
Bem prega Frei Tomás (comédia) (1905)
Infelizes: histórias vividas (1892)

Elina Guimarães

Elina Júlia Chaves Pereira Guimarães da Palma Carlos nasceu em Lisboa a 8 de Agosto de 1904.
Licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa, com a classificação de 18 valores.
Ingressou no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP) a convite de Adelaide Cabete.
Defendeu a educação e a protecção à infância.
Defendeu a participação política das mulheres como forma de intervenção na sociedade, exigiu o direito a uma educação igualitária e defendeu o direito de voto.
Morreu em Lisboa a 26 de Junho de 1991.

Algumas das suas Obras:

O Poder Maternal (1933)
Coisas de Mulher
Teses:
“A protecção à mulher trabalhadora”
“ Da situação da mulher profissional no casamento”

Conclusão

Este trabalho mostrou apenas algumas das mulheres que mais lutaram pela igualdade entre os sexos, através de obras, artigos, teses, discursos e acção, fazendo assim uma mudança que dura até aos dias de hoje. Gostei de pesquisar e de realizar este trabalho; fiquei surpreendida ao ver que existiram tantas mulheres feministas em Portugal, das quais nunca tinha ouvido falar.

Bibliografia

http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Olga_de_Moraes_Sarmento_da_Silveira
Dicionário no feminino( séculos XIX-XX)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Adelaide_Cabete
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_de_Castro_Os%C3%B3rio
http://www.umarfeminismos.org/centrodocumentacao/biografia.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Elina_J%C3%BAlia_Chaves_Pereira_Guimar%C3%A3es
http://acidadedasmulheres.blogspot.com/2009_01_01_archive.html
http://porterrasdoalentejo-bruno.blogspot.com/2009/10/habitos-e-costumes-alentejanos.html
http://arepublicano.blogspot.com/2008_10_01_archive.html
http://ponto-de-partilha.blogspot.com/2010/01/mulheres-republicanas-adelaide-cabete.html
http://www.leme.pt/biografias/portugal/letras/castroosorio.html
http://www.mun-setubal.pt/Actividade+Municipal/Cultura/Pessoas/Personalidades/Olga+Moraes+Sarmento.htm
http://www.aph.pt/uf/uf_0412.html

Tatiana Nunes 11º 4 nº21

terça-feira, 16 de março de 2010

A intervenção das Mulheres republicanas


Acção de Propaganda Feminina

A 14 de Março de 1911, foi publicada em Portugal uma nova lei eleitoral da República, referente do direito de voto. Tal lei concedia o direito de voto a todos os cidadãos portugueses, maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever e chefes de família, não fazendo qualquer referência às mulheres.
As mulheres, sempre conscientes das barreiras que teriam de superar se quisessem alcançar a igualdade, desde cedo que reivindicaram o direito de voto. Devido a uma divergência surgida na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, em relação ao voto das mulheres (nas suas petições aos órgãos de soberania, pediam o direito de voto apenas para as mulheres que pertencessem à elite social ou pagassem impostos, o que não agradou a todas), nasceu a Acção de Propaganda Feminina, criada por Ana de Castro Osório, Joana de Almeida Nogueira, Rita Dantas Machado e Carolina Beatriz Ângelo, em 1911. Porém, cada vez que pediam o que era seu por direito, o voto, era-lhes sempre negado.
Surgiram igualmente diferentes pontos de vista entre as mulheres, pois para algumas, como Ana Osório de Castro, o voto só deveria ser concedido a mulheres instruídas, pois grande parte das portuguesas não estavam suficientemente educadas para votarem em consciência, sendo influenciadas pelo preconceito e pela Igreja, acabando por votar mal. Contudo, para outras, como Maria Veleda, o direito de voto era para todas as mulheres, pois apesar de algumas não terem tido a chance de serem instruídas, deveriam ter direito a votar, pois se tal não se desse, apenas serviria para aumentar a desigualdade existente.
Entretanto, quando todas as mulheres desistiram de batalhar, Carolina Beatriz Ângelo, chefe de família (pois era viúva e tinha uma filha menor), decide levar este caso à justiça, para que esta pudesse julgar os factos de uma melhor forma. Tendo em conta que o juiz era pai de Ana Osório de Castro, grande defensor da emancipação feminina, este decidiu a favor de Carolina.
Contudo, apesar dos esforços feitos, a lei eleitoral de 1913, excluiu as mulheres do direito do voto. Tal não desmotivou a luta pela emancipação que, desde o voto de Carolina Beatriz Ângelo, se acentuou mais que nunca pela igualdade de sufrágio.

Patrícia Silva 11º4

A emancipação feminina (III)

A emancipação feminina e os seus efeitos na Maçonaria

˜ A Maçonaria é uma associação universal que se reúne em lojas, espécie de pequenos grupos independentes, que tem em vista a liberdade, democracia, justiça, fraternidade, o direito à educação, entre outros, e principalmente a igualdade. Assim sendo, em 1907, Magalhães Lima, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, permite que mulheres como Maria Veleda, Ana de Castro Osório e Adelaide Cabete dirigissem a Loja Humanidade, criada em 1904, que passou então a ser independente, gerando protestos provenientes de outras lojas maçónicas conservadoras. Tinha como objectivos a igualdade de direitos e a plena cidadania.
˜ Em 1913, a loja Humanidade separa-se da Maçonaria regular, devido a questões postas por Ana de Castro Osório, que pretendia saber se as mulheres eram dignas de obterem respeito e igualdade, acabando por não obter uma resposta satisfatória. Em 1915, um grupo dissidente criou a loja Carolina Ângelo.
˜ Em 1920, regressam à Maçonaria regular, a pedido de Magalhães Lima, devido à existência da Monarquia do Norte.
˜ Mais tarde, devido a não verem os seus objectivos a serem alcançados e a serem desvalorizadas pelos dirigentes masculinos, associam-se à Ordem Mista do Direito Humano, fundada em França em 1893, que aceitava tanto homens como mulheres, sem distinções. Assim, em 1923, Adelaide Cabete cria a Loja Humanidade do Direito Humano, que mais tarde deseja ver-se independente da Maçonaria Francesa, contando com inúmeros apoiantes, tanto homens como mulheres, que pretendiam demonstrar a igualdade entre os sexos.

Patrícia Silva, Nº14

As mulheres republicanas: Regina Quintanilha

Nasceu a 9 de Maio de 1893, em Miranda do Douro.
˜ Criada no seio de uma família abastada (a mãe, Josefa Quintanilha era escritora e o pai pertencia a uma família há já muito bem afamada), sempre teve dentro de si o interesse de cultivar o seu saber, pretendendo ir mais além nos estudos, que até à época eram obrigatórios apenas entre os 7 e os 11 anos.
˜ Assim sendo, depois de terminar o secundário, com apenas 17 anos matricula-se na Universidade de Coimbra, no curso de Direito. Termina o curso em 3 anos, e apesar de ter sido convidada para reitora do Liceu Feminino de Coimbra recusa, pois desejava exercer advocacia, profissão que era vedada às mulheres desde o Código Civil de 1867.
˜ Apesar de todas os entraves postos no seu caminho, visto que era mulher, não desistiu de perseguir o seu objectivo, e em Novembro de 1913, recebe a autorização do Supremo Tribunal de Justiça para exercer a sua profissão.
˜ Começa então a trabalhar no Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa, e mais tarde torna-se igualmente a 1ª mulher a exercer o cargo de Conservadora do Registo Predial e Notarial.
˜ Estendeu os seus conhecimentos e o seu poder não só pelo país, mas também por outros lugares do mundo como no Brasil, onde colaborou na reforma da Lei brasileira e estabeleceu escritórios, tal como em Nova Iorque, nos Estados Unidos. De volta a Portugal, anos mais tarde, representa empresas francesas.
˜ Faleceu em Lisboa a 19 de Março de 1967.

Patrícia Silva , 11º 4º4

Mulheres iluministas: a "portuguesa de Nápoles"


Leonor de Fonseca e Pimentel:
Nasceu a 13 de Janeiro de 1752 em Nápoles.
Ficou conhecida como Eleonora de Fonseca Pimentel ou "A Portuguesa de Nápoles “, pois cultivou a língua pátria e manteve correspondência com intelectuais portugueses.
Poetisa, escritora, pedagoga, bióloga e uma das primeiras jornalistas europeias.
Leonor fundou o jornal oficial da república então instalada - O Monitore Napolitano
Em 1777, chegou a escrever uma peça de teatro de homenagem ao Marquês de Pombal. Tornou-se uma referência do pensamento político italiano, embora multifacetada, distribuindo os seus esforços pelo jornalismo, a luta política, a biologia, a poesia e a pedagogia.
Era amiga íntima de intelectuais e revolucionários de várias nacionalidades e o seu nome ficou na História por ter defendido os ideais liberais que conduziram à Revolução jacobina de Nápoles e à instauração da malograda República Napolitana
Foi enforcada em 20 de Agosto de 1799, acusada de crime contra o Estado, na Praça do Mercado de Nápoles.
Rita Figueiredo 11º4 Nº17

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

As mulheres no Iluminismo

Este trabalho foi realizado pelos seguintes alunos/as da turma 4 do 11º. ano da ESBF:Ivo Tenreiro,Patrícia Silva e Tatiana Nunes.


Iluminismo
Conjunto de novas ideias que marcaram o séc. XVIII e que tinham por pilar a Razão Humana, tanto no campo científico (devido ao experimentalismo que levou a que o Homem se desse conta das suas potencialidades quase ilimitadas) como nos assuntos quotidianos em que promoveria a justiça e a igualdade entre todos.
As mulheres e o Iluminismo
•Todos eram dotados de direitos naturais e inalienáveis, onde se incluía o direito à educação, porem só aplicadas a elementos do sexo masculino.
•Instruídas não para auto-benefício mas sim o das suas famílias (sendo uma teoria aprovada por filósofos como John Locke e Jonathan Swift).
.Mulheres de todo o mundo decidiram dar um passo em frente e saírem da escuridão em direcção às Luzes, onde seriam dotadas de igualdade.

Madame Geoffrin
•Marie-Thérèse Rodet Geoffrin, nasceu em Paris em Junho de 1699.
•Casou-se aos 16 com Monsieur Geoffrin, e a partir de 1730 frequentou o salão de Madame de Tencin.
•Foi organizadora de um importante salão literário em Paris nos meados do século XVIII. Por lá passaram personalidades como Catarina a Grande, Diderot, Benjamin Franklin, David Hume, Madame de Pompadour, Montesquieu e Voltaire.
•Faleceu em Paris, em Outubro de 1777.

Olympe de Gouges
•Olympe de Gouges nasceu em 1748 no sudoeste da França.
•Casou-se em 1765 e teve um filho. Enviuvou e em 1770 transferiu-se para Paris.
•Em 1791, em resposta à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, escreveu a Declaração dos direitos da Mulher e da Cidadã.
•Escreveu o Contrato Social, nome inspirado na famosa obra de Rousseau, propondo o casamento com relações de igualdade entre os parceiros.

Marquesa de Chatêlet
•Gabrielle Émilie Le Tonnelier de Breteuil nasceu em França em 1706.
•Aos 19 anos casou com o Marquês de Châtelet-Lamon e teve três filhos. Aos 27 anos, voltou a frequentar a corte de Versalhes. Em 1735 foi viver com Voltaire. Relacionou-se com François de Saint-Lambert, de quem ficou grávida.
•Faleceu em 1749.
•Obras edificantes: “Dissertation sur la nature et la propagation du feu”, “Institutions de Physique” e a “Principia Mathematica” de Newton”

Madame de Pompadour
•Jeanne-Antoinette Poisson, nasceu em Dezembro de 1721 em França e foi amante de Luís XV
•Tornou-se “amante real” e chegou a conselheira do rei.
•Relacionou-se com membros do Iluminismo como Diderot, Voltaire e Rousseau.
•Faleceu em Paris em Abril de 1764.
Conclusão
Através da realização deste trabalho, aprofundámos os nossos conhecimentos sobre as mulheres que, pelos seus ideais, revolucionaram a sociedade de então, mudando o percurso da história até aos dias de hoje.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A emancipação feminina (II)






Mulheres que se destacaram no final do século XIX :
- Amélia Janny
- Ana Plácido
- Ana Marie Caron
- Angelina Vidal
- Catarina de Andrada
- Júlia de Gusmão
- Maria Águeda Rego de Makonelt
- Maria Amália Vaz de Carvalho
- Maria José Canuto
- Maria Rita Chiappe Cadet
... entre muitas outras.
Na viragem do Século, este grupo de mulheres dá lugar a outro que, também na imprensa, se vai assumindo como vanguarda mobilizadora de um movimento feminista que reivindica a igualdade de direitos entre os sexos.
No início, a convergência de ideais unia as mulheres conservadoras, monárquicas e republicanas.
Com a aproximação destas ao Partido Republicano, dá-se a cisão definitiva.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A emancipação feminina (I)



Em 1848, nos E.U.A., inicia-se o movimento de emancipação feminina, com a “Declaração de Sentimentos de Seneca Falls”. As mulheres americanas, a propósito da luta pelo fim da escravatura, já questionada pela Filosofia das Luzes, interrogam-se sobre o próprio estado de sujeição, tutela e submissão em que vivem. Comparativamente, elas eram também escravas das leis, dos preconceitos, das injustiças e desigualdades que as mantinham num estatuto de inferioridade na família e na sociedade.





No mundo dito ocidental, outras mulheres se interrogaram e puseram em causa as normas que, por imperativos sociais, económicos e políticos as condenaram à sombra do homem, pai, marido, filho, irmão ou tutor; as remeteram ao silêncio e recato do lar, onde se anulavam como pessoas em benefício dos outros, onde os trabalhos e os cuidados eram desvalorizados porque de tão repetitivos parecem invisíveis, apesar de constituírem o pilar da ordem familiar e social.



Em Portugal, embora mais lentamente que nos países centrais, sentem-se também os ventos de mudança. Um punhado de mulheres ousa questionar... e ... reivindicar. São mulheres cultas e decididas que apostam na educação e na escrita, porque acreditam que o saber é o mais precioso dos bens e as ideias podem transformar o Mundo. Tornam-se mediadoras culturais, ensinando, traduzindo e escrevendo livros, publicando poesia, contos e artigos, fundando, dirigindo e administrando jornais e revistas.
Na 2ª. metade do século XIX, surgem alguns periódicos femininos consagrados à ilustração das mulheres, onde um grupo transgressor defende ideias emancipadoras, denuncia problemas, propõe soluções e reclama o lugar a que se julga com direito.



1849 – Assembleia Literária de Antónia Gertrudes Pusich
1868 – A Voz Feminina de Francisca Wood
1869 – O Progresso de Francisca Wood
1870 – O Almanaque das Senhoras de Guiomar Torrezão
1883 – A Mulher de Elisa Curado
1888 – O Recreio das Salas de Alice Moderno
1898 – A Ave Azul de Betriz Pinheiro
1902 – Sociedade Futura de Ana de Castro Osório e Olga M. Sarmento da Silveira


1849

sábado, 23 de janeiro de 2010

A (in)visibilidade feminina

Quem são estas figuras femininas? Como se destacaram?



Estas e outras mulheres emergiram no espaço público, quebrando o silêncio e a invisibilidade a que a tradição secular as condenara, tomando voz para expôr, partilhar e divulgar ideias, dedicando-se a causas políticas e sociais. Elas foram o exemplo e a referência das gerações vindouras; elas constituíram o impulso que conduziu à tomada de consciência do estado de subalternidade, dependência e desigualdade em que as mulheres sempre viveram; elas foram as precursoras da emancipação feminina, quando reivindicaram o direito à palavra e à tribuna, o direito à existência jurídica e civil, o direito de intervir na sociedade e na política, o direito de cidadania.




Apesar de a maioria das mulheres continuar, nos séculos XVIII e XIX, nas trevas da ignorância e de outras beneficiarem apenas de parte das lições dadas aos irmãos, algumas evidenciaram-se pela esmerada educação que receberam ou que adquiriram e completaram por iniciativa própria.
Embora a maioria dos escritores defendesse a educação feminina para benefício da família, pois a mulher instruída seria a primeira educadora dos filhos, a melhor companhia do marido e a boa gestora da casa, houve, no entanto, alguns que pugnaram pela sua valorização e emancipação como seres humanos com igualdade de direitos